domingo, 20 de março de 2016

Zootopia, 2016.

Depois do fraquíssimo "O Bom Dinossauro", a Disney vem com tudo e mostra para o mundo que suas animações ainda tem muito a dizer, e isso não significa apenas mais um longa com animais falantes.



Dos diretores Byron Howard e Rich Moore, que também dirigiram "Bolt", "Enrolados" "Detona Ralph", agora nos apresentam um mundo novo, Zootopia é a cidade dos sonhos, ela representa um lugar para o qual "todos" querem ir, pois lá "os sonhos se tornam realidade". E é atrás da realização do sonho que a coelhinha fofa (Ops, desculpe!), que a coelha Judy Hopps, sai de sua terra natal, após sua formatura na Academia de Policia, e descobre ser a única e primeira policial, fêmea e coelha, nesta profissão, e é aí que começam os desafios desta personagem. E nós, expectadores, temos a grata surpresa pois esta animação vai muito além da fofura de animais excepcionalmente bem feitos envolvido em histórias simples, apenas para fazerem as crianças rirem, essa animação surpreendente tem um desenvolvimento de personagens digno dos clássicos filmes policias e de espionagens, ela nos proporciona uma trama com referencias fortes à cultura pop, ao "neo-noir" (bem colorido, é claro!), filmes como "O Poderoso Chefão", "Chinatown", a série "Breaking Bad" e as suas próprias animações, como "Frozen", "Bolt", "Enrolados", junte isso a mensagens sobre diversidades culturais, étnicas, biológicas, ao racismo, e tudo vem nas entrelinhas, de maneira leve e divertida, é claro que as crianças não entenderão parte dessas referencias, mas os acompanhantes delas certamente vão. 

Quando Judy está saindo de sua cidade, em um trem que corta alguns distritos antes de chegar a Zootopia, vemos rapidamente como foi excepcionalmente construído este mundo, e como é rico em detalhes e pouco explorado pelo longa, pois não dá tempo, e a gente fica com gostinho de quero mais, apesar da animação ter 108 minutos, é um pouco longo para crianças mais inquietas, mas pelo menos na sala em que eu estava não vi problema em segurar o público mirim e entretê-los com tantos mistérios que o filme apresenta e desvenda, ponto para Disney que sabe como segurar o expectador.


Alguns chamados, "bairros-habitat" dentro de Zootopia, nos enchem os olhos como por exemplo, a cidade dos camundongos, é tudo pequenininho e encantador. Também temos um lado sombrio, uma floresta tropical, onde o expectador chega a ficar tenso com a cena muito bem desenvolvida com ação e diálogos dos personagens. Mas é no centro da cidade que, tudo que cabe na tela, nos chama a atenção, dá vontade de pausar o filme no cinema para apreciarmos tudo que é nos apresentado em segundos, para que possamos degustar a riqueza dos detalhes, coisas como portas em diferentes tamanhos para diferentes especies e até lanchonetes adaptadas para servir os animais mais altos como as girafas. É sensacional!


Nick Wide, é uma raposa, e "raposas não são muito confiáveis", segundo a sua tradição...
Este é o personagem que contrasta muito bem com a nossa heroína Judy, ambos juntos, têm a química certa para que uma dupla seja o sucesso de uma animação. Ele, Nick, é um malandro sagaz, que vive tirando proveito de situações para viver e também tem uma boa história por trás dessa malandragem. 


A música tema é interpretada e composta por Shakira, que também faz a voz, no original, da personagem Gazelle, que também é uma cantora famosa. Sua música, "Try Everthing", é mais uma grata surpresa. O roteiro é ótimo, deixando um pouco a desejar apenas no seu desfecho, mas me parece uma "deixa" para que possíveis continuações ou até mesmo uma série para televisão venha explorar esse mundo novo tão interessante. O que seria muito justo.

Assim como em "Divertida Mente", Zootopia é surpreendente, e eu diria mais, tem muito mais a dizer do que a vencedora do Oscar 2016. Com uma forte carga dramática, os mistérios complexos e desenvolvimentos de ações que nos levam a pensar sobre o nosso cotidiano, a mensagem social é muito presente para crianças e adultos, bem entregue em forma de entretenimento. É a Disney falando sério com seu público e deixando cada vez mais distante a ideia de que tudo é como um conto de fadas, hoje, ela nos entrega uma história realista, e a mensagem que fica é que devemos sempre sonhar, seguir em frente, mas ninguém está dizendo que será fácil.