terça-feira, 15 de março de 2016

Grandes Olhos (Big Eyes, 2014)

Baseado em numa história verídica, Walter e Margaret Keane, interpretados por Christoph Waltz e Amy Adams são dois pintores muito populares nos Estados Unidos nos anos 1950 e 60, com quadros de crianças de olhos grandes.







Tudo que tenho a dizer é que o filme é uma explosão de cores e sentimentos, Tim Burton consegue recriar o clima dos anos 50/60 com muita cor, um ar retrô, com muito sentimento e inspiração. A cinematografia é limpa, colorida alegre, as cenas externas sempre também com muitas cores e o sol radiante, os figurinos também é bastante colorido (mas não exagerado como de costume em filmes de Tim Burton) mas usando tons mais leves. A produção de arte é detalhista e impecável. 

O filme conta como a artista foi lesada pelo próprio marido. A independência da personagem de Amy Adams (maravilhosamente bem interpretada), se apaga e percebemos a submissão, quando Margaret cede aos encantos do fanfarrão aproveitador. Ela sente o perigo mais não consegue ser firme. No desenvolvimento de sua história ela cresce mas com isso também, vem uma forte crítica a mulher. Por outro lado temos o marido, Christoph Waltz também dá um show de interpretação, ele tem carisma é sedutor e faz cara de sonso como ninguém. Seu personagem é dominador, ele leva quase todo mundo na lábia. 




Com um tom aparentemente leve, porém fortes críticas à sociedade, a igreja, ao machismo... O filme tem uma narrativa lenta, o roteiro é previsível (afinal de contas tratando-se de uma história real, não dá pra inventar muito, né?), mas ainda acho que Burton deixou passar alguma coisa, o filme poderia ter ido mais a fundo no lado criativo de Margaret e explorado mais sua imaginação. Porém ainda sim, tem a cara de Tim Burton.


A trilha sonora é boa e a canção original, de Lana Del Rey (chegou a ser indicada ao Globo de Ouro 2015) é mais uma parte importante na trama que ajuda a contar a história. O filme termina como o esperado, porém nos apresenta um ato final satisfatório.