domingo, 30 de outubro de 2016

A Garota no Trem (The Girl On The Train, 2016).


O longa contém alguns plot twists, porém, a narrativa não-linear pode confundir o expectador mais desatento. Ainda assim o roteiro é fraco (mas está longe de ser ruim) e torna-se bastante previsível a partir do terceiro ato, mas a competente direção e a boa atuação do elenco salvam o longa.


Na sinopse, Rachel, que está desolada por seu divórcio recente, passa seu tempo indo para o trabalho fantasiando sobre o casal aparentemente perfeito que vive em uma casa onde seu trem passa todos os dias, até que em uma manhã ela vê algo chocante acontecer lá e se torna parte de um mistério que se desdobra. Quanto menos soubermos sobre o filme mais interessante (ou menos previsível) ele pode ser.


A direção de Tate Taylor é eficaz ele usa cinematografia diferenciada para apresentar cada uma das personagens, a alcoólatra, encarnada pela incrível Emily Blunt, é a peça chave do mistério, está sempre bêbada ou dentro do trem e então o recurso técnico usado para expor suas emoções e causar empatia com o expectador é uma câmera de mão que balança com ângulos em close-up, as expressões da personagens são ampliadas, é como se ela tentasse mostrar para nós, expectadores, aquilo que ela não consegue dizer, ou lembrar, este recurso traz realismo e a sensação incomoda de um personagem confuso, de maneira muito eficaz (eu por exemplo, tive a sensação que a qualquer momento eu sentiria o bafo da desmemoriada). Com a personagem
Anna, a dona de casa, mãe de família e dedicada esposa, interpretada por Rebecca Ferguson, o diretor usa uma cinematografia mais clara, em ângulos abertos a médio com câmera fixa como se quisesse passar a segurança da personagem mas equilibrada emocionalmente, porém isso muda conforme as camadas vão sendo reveladas. Com a personagem Megan, interpretada por Haley Bennett, seu esteriótipo é de mulher safada ao mesmo tempo que é a vítima, ela tem suas cenas com uma trilha sonora mais intensificada e misteriosa, é usado aqui os mesmo recursos usados no filme "Garota Exemplar", é mesmo como se quisesse que o expectador aproximasse em comparações as duas histórias, e das personagens envoltas pelo principal mistério, mas o suspense criado aqui, não chega nem perto do que o diretor de "Gone Girl" fez lá.

O roteiro é mais simples do que esperávamos, mas é bem escrito. As várias camadas dos personagens os tornam complexos, uns são mais complexos do que outros, mas todos tem alguma coisa relevante que acrescenta e que vamos desvendando pouco a pouco, mas são os diversos pontos de vista da trama que faz com que a narrativa fique enfadonha e algumas vezes até melodramática. A fotografia é bem trabalhada de acordo com cada momento, a floresta e o túnel contém a paleta de cores acinzentada e fria, as vezes turva e fora de foco, e a iluminação em ambientes fechados é amarelada o que intensifica a sensação de perigo e suspense. A trilha sonora ajuda a compor as cenas de mistério, mas ao longo da trama ela se torna menos interessante. 



Assista ao trailer:



Luke Evans é o destaque no elenco do time masculino, ele está ótimo em cena. Justin Theroux também tem uma boa performance, as cenas em que ele atua e são mostradas por pontos de vista diferentes, são muito bem dirigidas.A figura masculina e tida como repressora e machista, as mulheres são as vitimas, mas isso soa artificial e as vezes contradiz com o que estamos assistindo, nem tudo é o que parece. Os flashbacks e a cronologia aleatória prende a atenção até certo ponto, e funciona quando nos dá algo novo para tentarmos desvendar, o que não dura muito tempo, temos algumas surpresas, mas o "X" da questão é previsível e revelado ainda no início do terceiro ato, a partir daí a trama entrega os detalhes sem nenhuma surpresa, porém o desfecho é satisfatório, mas está longe de ser memorável.



Baseado no best-seller homônimo de Paula Hawkins. O longa está em cartaz nos cinemas de todo Brasil, vale a pena conferir.