domingo, 30 de outubro de 2016

O Contador (The Accountant, 2016).

Você gosta de quebra-cabeça? Eu adoro!


O longa é realista, apesar de algumas semelhanças com filmes de super-heróis com vida dupla (Batman, Demolidor), também tem algo de Jason Bourne, tem uma boa dose de suspense e drama que ao longo da trama vamos montando como num quebra-cabeça, e a ação que se apresenta é revigorante, um trabalho de direção muito bem realizado. 

Na sinopse: Christian Wolff (Ben Affleck) é um portador da Síndrome de Savant com mais afinidade por números do que por pessoas. Tendo um escritório de contabilidade em uma cidadezinha como fachada, ele trabalha como contador autônomo para algumas das mais perigosas organizações criminosas do mundo. Com o Departamento Criminal do Ministério da Fazenda, coordenado por Ray King (J.K. Simmons), começando a fechar o cerco, Christian aceita um cliente legítimo: uma empresa de robótica de última geração onde uma assistente de contabilidade (Anna Kendrick) descobre uma discrepância envolvendo milhões de dólares. Porém, conforme Christian desvenda os registros e se aproxima da verdade, a contagem de corpos começa a subir.


Christian Wolff coleciona quadrinhos, curte Star Wars e rock n' roll, sem falar pelo peculiar gosto por obras de arte. Tudo isso quando não está exercendo sua função de contador ou de matador de aluguel. Ben Affleck está incrivelmente convincente, a vontade com seu personagem que não demostra emoções e nas dificuldades de socializar-se. O roteiro é bom, a parte mais interessante é quando temos uma narrativa em paralelo, a infância do protagonista com os pais e o irmão mais novo, então vemos como ele evoluiu até certo ponto, infelizmente algo se perde pelo caminho, e como a história segue intercalando com o passado e o presente, esperamos o ponto onde há a verdadeira mudança de comportamento, a transição da criança para o adulto que conhecemos. Mas o roteiro toma o rumo mais fácil e fica auto-explicativo, fazendo com que o espectador perca a oportunidade de continuar montando o quebra-cabeça sozinho. Quando o filme começa a se explicar, a história fica menos interessante e o ritmo cai um pouco, até chegarmos ao terceiro ato, quando recomeça a ação e a última peça encerra a história (não tão satisfatória quanto eu esperava, mas) com todas as pontas amarradas.


J.K. Simmons não é um grande destaque aqui (tudo que queremos é ver Ben Affleck em cena!), mas as cenas dele são sempre bem-vindas, assim como Anna Kendrick, que traz um toque leve (se é que é possível!) e divertido para a trama, a interação da personagem dela com o personagem de Affleck é sensacional. Outro ator que eu gosto muito e está muito bem aqui é Jon Bernthal, as cenas deles são violentas e objetivas, seu personagem lhe cai com perfeição. 


A trilha sonora é excelente, uma coisa que me chamou a atenção foi a mixagem de som, os efeitos sonoros são eficientes, o filme pede que isso seja bom e realmente é. Achei a fotografia um pouco mais escura do que o necessário nas cenas noturnas, mas nada que seja incômodo para os olhos. Os enquadramentos são milimetricamente perfeitos, o alinhamento de câmera com objetos de cena, em planos abertos ou médio plano são impressionantes, seja uma porta ou uma janela, quando o personagem protagonistas está em sua casa, não só pela personalidade dele, mas a direção de arte faz um trabalho visual geometricamente organizado, o diretor desliza a câmera e enquadra em pontos estratégicos que torna a experiência visual espetacular ao olhos mais atentos.


Assista ao trailer abaixo:



É um bom filme? É ótimo! Mas eu fiquei me perguntando, "Como que aconteceu em determinado momento...?", apesar da história ter sido contada com detalhes, a transformação do personagem central não teve profundidade em um determinado ponto. Tecnicamente o longa faz tudo direitinho, é original até onde cabe e prende o espectador do começo ao o fim, nem senti a hora passar. Não viu ainda? Corra para o cinema!