segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Séries: Luke Cage - (Netflix, 2016)


Eu gostei muito do personagem Luke Cage que eu vi em Jessica Jones, porém não acreditava muito que se saísse bem em uma série só dele, Mike Colter tem carisma, mas não me convenceu como um super-herói. Mas isso não chega a ser um peso para a série que tem outros personagens que conduzem muito bem a trama, apesar de diálogos pouco marcantes e eu diria bem mais clichê do que deveria, o roteiro é ótimo fecha bem o arco e nos prepara para uma possível segunda temporada, caso ela não chegue, não há muito para encerrar que não possa ser feito em Os Defensores, a série prevista para 2017 que reunirá Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro (ainda inédita), que será para a telinha o que Os Vingadores foi para o cinema interligando Universo Cinematográfico Marvel.


A história se passa no Halem, meses após os acontecimentos de Jessica Jones. Assim como em Demolidor a corrupção está em destaque, os vilões tem motivações de sobra para não quererem um super-herói por perto. Esta é uma série que consegue ser ainda mais realista, baseada na série de quadrinhos do personagem de mesmo nome da Marvel, criado nos anos 70, aqui temos apenas uma degustação ao seu icônico uniforme com tiara prateada e braceletes, é uma das (poucas) cenas mais hilárias da série.

Na trama ele é um ex-presidiário lavador de pratos, humilde, honesto e muito sensível (um trocadilho com sua pele impenetrável? Talvez!). Mas é aí que eu não consigo encontrar o super-herói que eu estava procurando. Mike Colter se esforça, é muito carismático, mas além dos seus diálogos serem piegas, mesmo em momentos de fúria sua expressão não passa convicção, ele me parece simpático demais para alguém que vai combater vilões no mano a mano, a coreografia de suas cenas de luta e destruição também não me convenceram, seu físico marca presença, as vezes até me faz lembrar o Gigante Esmeralda mas falta um senso ameaçador, mesmo quando todos saem correndo, Colter é muito mecânico, falta atuação.


Já o ator Mahershala Ali, que interpreta o vilão Cornell Strokes ou "Boca de Algodão" é bem o oposto, também carismático, ele atua com perfeição (sentir ódio dele!). Ele tem estilo, uma fala mansa que contrasta bem com seu perfil extremamente violento. Ele é uma ameça e sua presença rouba a cena (diga-se de passagem sempre embaladas com uma boa trilha sonora), um vilão que a muito tempo eu não via, ele é realmente tenso. A atriz Alfre Woodard (que também fez uma pontinha, como outra personagem, em "Capitão América: Guerra Civil") dá vida a uma vilã que eu particularmente adorei, ela interpreta a vereadora Mariah Dillard, prima do "Boca de Algodão" é manipuladora e imprevisível, ela vai chegando devagar e impressiona com sua atuação brilhante. O que não posso dizer do Theo Rossi ator que interpreta Shades, se limita a tirar e a colocar os óculos escuros tanto quanto fazer cara de galã canastrão, sua atuação não tem impacto e consegue ser o mais clichê dos personagens, não intimida e não apresenta ameça real, é chato, eu torci pela morte dele toda vez que ele aparecia. Porém no geral, os vilões são bons, caricatos também, mas estamos falando de uma série que é baseada em quadrinhos, torná-la realista demais fugiria do que foi proposto. 


Do lado dos mocinhos temos a já conhecida Rosario Downson, figurinha carimbada nas séries Demolidor Jessica Jones ela retorna com seu personagem, a enfermeira Claire Temple, e forma uma ótima dupla com o "quase" indestrutível Luke Cage, a química entre eles é tão boa que até a performance de Mike Colter fica melhor com ela em cena. Claire está de volta ao Harlem depois dos acontecimentos da segunda temporada de Demolidor, ela volta para a casa de sua mãe, Soledad, interpretada pela atriz brasileira Sônia Braga (arrasou!). Outra atriz que brilha em cena e Simone Missick ela interpreta a detetive Misty Knight, sua personagem começa devagar, mas tem uma tensão entorno dela, uma complexidade que vamos sentindo a cada episódio. Frankie Faison interpreta o personagem Pop, tudo começa com ele, o personagem é um filho do Harlem e representa uma figura paterna para seus pupilos em sua barbearia, é o ponto tradicional do bairro, um ponto fixo da trama. 

A série tem ótima cinematografia é bem urbana, e a maior parte do tempo os acontecimentos são a noite e/ou ambientes fechados, mas com ótima iluminação e cores com boa fotografia. Alguns cenários são bem mais utilizados do que outros como a boate Harlem's Paradise com direito a trilha sonora quase que narrando a história em Jazzfunk soul e R&B. Não é uma coisa muito original, mas é interessante de ver e ouvir. Há muitas cenas em plano médio, realçando objetos de cena e pessoas, surpreendentemente o destaque no escritório do vilão que tem em sua sala um quadro no rapper Notorius BIG com uma coroa em sua cabeça, aqui a simetria é perfeita no encaixe do personagem à frente do quadro na qual causa a ilusão que a coroa está em sua cabeça. Funciona muito bem a alusão ao Rei do Crime, seria Cornell Strokes o novo rei?


Tem ação, mas é a violência que marca presença aqui. Os temas atuais e a realidade mais presente até do que nas séries anteriores dessa parceria Marvel/Netflix. Luke Cage traz easter-eggs para os conhecedores dos quadrinhos (lá no finalzinho uma referência à próxima série, Punho de Ferroe novidades para o público em geral. Faz menção à acontecimentos e aos heróis do Universo Cinematográfico Marvel interligando séries e filmes, além de ser uma série que mostra muito da cultura afro-americana com um herói negro à prova de balas. É um convite irrecusável, não acha?

Veja o trailer:


Disponível no catálogo da Netflix.