sexta-feira, 13 de maio de 2016

The Babadook, 2014.

Este filme é australiano, dirigido pela estreante Jennifer Kent, que nós apresenta uma história de terror inteligente para os dias de hoje. Não é aquele filme com muito sangue e gritos de horror e infinitos jumpscares, é um terror psicológico (no sentindo mais literal da palavra) que trata de um assunto atual, completamente metafórico, é preciso usar a cabeça e a imaginação para compreendê-lo. Interessantíssimo.



Sinopse: Seis anos após a morte de seu marido, Amelia (Essie Davis) luta para disciplinar seu 'descontrolado' filho de seis anos de idade Samuel (Noah Wiseman). Os sonhos de Samuel são aterrorizados por um monstro. Quando um perturbador livro de histórias chamado "The Babadook" aparece em sua casa, Samuel se convence que o Babadook é a criatura dos seus sonhos. E quando Amelia também começa a ver vultos da criatura, lentamente começa a perceber que aquilo que Samuel vem avisando pode ser realmente verdade.

Veja o trailer:

Essie Davis está perfeita para este papel, mas quem merecia um Oscar é o ator mirim Noah Wiseman, ele faz aquele garotinho insuportável que amadurece seu personagem como poucos atores mirins fariam, é impressionante a atuação dele, merece ser visto.

O filme tem cenas de terror clássico e alguns clichês clássicos também, não tem ação, os efeitos visuais são excelentes e casam muito bem com a cinematografia, a fotografia é limpa belíssima, com a iluminação precisa, apesar do filme ter muitas cenas noturnas, fica muito claro aquilo que deve ser mostrado. Com enquadramentos de câmeras abertos, fechados, em zoom, mas sempre firme, junto com a trilha sonora que compõe bem cada cena torna a narrativa mais intensa, a diretora faz um trabalho atmosférico preciso, ela não perde tempo, e a primeira cena a gente já quer enlouquecer, mas o o terror demora um pouco para acontecer, isso não é um erro, pelo contrário a construção do mundo que estamos entrando tem um time perfeito, a trama é muito mais do que parece, a primeira parte do filme é mais o drama dos personagens, e então quando o espectador, mais atento, começa a entender, o filme é uma ótima surpresa. O monstro apresentado representa mais do que um ser assustador, ele representa os monstros internos, tratando a depressão e até a loucura, é nessa pegada, altamente reflexivo. O roteiro é extremamente inteligente, o desfecho é excepcional. Volto a dizer é um terror psicológico, se você curte filmes como o remake de A Morte do Demônio, passe longe desse.


Não recomendo para quem gosta de filmes explicadinhos, esse aqui exige reflexão. Quem não gosta de pensar, não vai entender. E não adianta depois dizer que não gostou.