domingo, 31 de julho de 2016

Stranger Things, 2016.

Esta nova série da Netflix lançada em 15 de julho já virou fenômeno pelo mundo. E se Stephen King e Guillermo Del Toro aprovaram dando declarações em seus próprios Twitters, quem sou eu para desaprovar?


A série se passa no ano de 1983, conta a história de um garoto que desaparece misteriosamente. Enquanto a polícia, a família e os amigos procuram respostas, eles acabam mergulhando em um extraordinário mistério, envolvendo um experimento secreto do governo, forças sobrenaturais e uma garotinha muito estranha. É uma grande homenagem aos anos 80, ao cinema, jogos, música, brinquedos, objetos e até utensílios de cozinha (eu me deparei com uma jarra de suco que eu tinha na minha casa e pelo jeito todo mundo tinha também!), tudo que foi sucesso nesta década está em Stranger Things. Com certeza você também vai encontrar muitas coisas que fizeram parte da sua vida.


Os atores mirins são excelentes em suas atuações, são naturais e tudo parece muito espontâneo, a personagem Eleven/Onze (Millie Bobby Brown) é incrível, ela é muito expressiva, nos emociona o tempo inteiro. As crianças se comunicam por walkie-talkies, andam de bicicleta, jogam D&D, mencionam os livros do Tolkien, personagens de Star Wars, quadrinhos dos X-men, e tem em seus quartos quadros do O Enigma do Outro Mundo, Uma Noite Alucinante, Tubarão... e a gente não cansa de procurar por elas, são referencias incontáveis. O núcleo adolescente é a parte menos interessante da série, é como se estivessem ali para dar mais tempo para trama, mas com menos peso. O elenco adulto é muito competente, o destaque fica para o delegado Jim Hopper (David Harbourd) e Joyce Byers (Winona Rider).


Está série não tem o tema original, aliás ela não é nada original, todos os elementos são referências e assumidamente homenagens aos grandes sucessos de bilheterias dos anos 80, até diálogos e cenas idênticas aos filmes, que para quem já está por volta da "casa dos 40 anos", irá reconhecer instantaneamente, pois fomos nascidos e criados assistindo a esses clássicos na tv incansavelmente. As ambientações nos lembram filmes como E.T - O extraterrestre, Conta Comigo, Os Goonies, Alien... também me lembrou, demais, outro filme que faz homenagem aos anos 80 recentemente, Super 8 (2011) e também o recente cult Sob A Pele (2014). Outro grande acerto da série é a trilha sonora, parte dela sintetizada, lembra Contatos Imediatos de 3° Grau e Arquivo X, e ainda tem o som do The Clash, Joy Division, New Order e outros clássicos da época, é de chorar de emoção!


O roteiro tem alguns furos, mas nada que seja grave, pois o entretenimento é tão satisfatório que reclamar de alguma coisa seria no mínimo assinar um termo de infelicidade, pois nada pode ser tão irrelevante que não possa ser esquecido na próxima cena. Até porque estamos em um universo de ficção científica, e não há nada que possa ser considerado totalmente descabível para o roteiro. A fotografia é muito interessante, encaroçada, também nos dá a sensação de estarmos assistindo à série na mesma época em que ela é ambientada. Os efeitos visuais não são tão bons quanto os do cinema, mas não deixa nada a desejar para outras séries de TV. Stranger Things foi criada pelos irmãos (gêmeos) Matt e Ross Duffer e eles foram inspirados por Steven Spielberg, Stephen King, John Carpenter e Sam Rami. Se você gosta desses diretores/cineastas, certamente vai gostar do que esses rapazes preparou com a Netflix.


Se você ainda não viu, não perca mais tempo, são 8 episódios de aproximadamente 50 minutos cada e um sentimento de nostalgia maravilhoso. Eu poderia ficar aqui escrevendo por horas sobre as referências encontradas, mas podemos fazer isso nos comentários, e com um aviso de spoilers caso seja necessário. Combinado? Será um prazer.
A segunda temporada ainda não foi confirmada, mas já está sendo encaminhada.


 Até a fonte da abertura é a mesma usada nas capas dos livros do Stephen King e trilha da abertura lembra Halloween de John Carpenter.