sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016)

E finalmente chegou o tão esperado grupo de vilões da DC/Warner para mandar ver nas telonas.


O maior problema deste longa é o que vem acontecendo com a maioria dos filmes de todos os gêneros, os inúmeros trailers entregam tudo, nos deixam esperado demais, e no caso de Esquadrão Suicida entrega até o que não vamos encontrar, literalmente. Lembra que saiu, há algumas semana atrás, que todo mundo voltou aos estúdios para regravar e inserir algumas cenas, e que o filme também teve que ser cortado para mudar o tom sombrio para uma coisa mais leve? Pois é, percebemos isso ao assisti-lo.


A primeira hora do filme é empolgante, energética, hipinótica... A trilha sonora funciona muito bem, e dá o tom até a metade, depois de todo mundo apresentado e bem entrosado, a impressão que temos é que as novidades acabaram e o filme se torna previsível, mas veja bem, isso não quer dizer que ele não seja divertido, mas não consegue manter o ritmo. O que mais incomoda é a edição que funciona bem no início e rola ladeira abaixo até chegar no fim, por exemplo, as cenas são cortadas onde não deveriam ser, alguns personagens somem e reaparecem do nada, a trilha sonora perde o timing de uma cena para outra (apesar das músicas serem ótimas!), cenas e falas que aparecem nos trailers não existem mais... Infelizmente o filme tinha um grande potencial para ser o melhor, mas provavelmente as mexidas e remexidas para "acertar o tom", não funcionaram. Os vilões mais perigosos deixam de ser os mais perigosos em algum momento e como se precisassem, têm motivos para não serem tão maus assim. (Hein??) Cadê os bad guys prometidos nos trailers?
O elenco tem química, mas os diálogos se perdem, são frases soltas, algumas sem ligação... Problemas da edição. O Pistoleiro e a Arlequina são o filme, os dois comandam, divertem e dominam as cenas, mas isso não é "só porque eles são os melhores", isso é porque eles tem o melhor e maior tempo em cena, são muitos personagens e o diretor ou a edição final, não distribuiu bem o tempo do resto da equipe, alguns são bem apresentados e outros são quase esquecidos. Viola Davis é ameaçadora, ela cumpre o seu papel perfeita e impecável como deveria ser. O Coringa faz sua participação pontual durante todo o filme, é quase previsível o momento em que ele vai aparecer. Jared Leto em uma entrevista, dias atrás, disse que seu personagem perdeu espaço e foram cortadas várias cenas, eu lembro bem de cenas gravadas dele e da Margot Robbie que não aparecem no filme. Não dá pra dizer o que é o Coringa de Leto, não é o personagem que encaixaria Jack Nicholson ou Heath Ledger, mas não há tempo o suficiente para dizer se eu gosto ou não dele, suas aparições são curtas e rápidas, apesar disso ele sempre rouba a cena. E Ben Affleck então? O Batsy só não é mais rápido que o Flash. Entendedores, entenderão!


O elenco está bem em todas as cenas, na medida do possível as piadinhas funcionam, poucas vezes não, apenas a Arlequina trata com naturalidade, pois suas piadas combinam com ela, já com o resto do elenco não precisava ou falta timing. Mas o personagem menos carismático é a Cara Delevingne, ela não convence, os efeitos atribuídos a personagem dela são muito legais, mas a Magia foi desperdiçada, pior do que ela só o vilão. Sem dar spoilers, e sem querer levantar polêmica, mas enquanto a Warner ameaçar o público com uma boa história e só apresentar o "trailer" dela, nunca será boa o suficiente. A DC tem vilões que seriam memoráveis, mas parece que os produtores tem medo de mostrá-los (ou estão guardando pra quê?), e isso acontece aqui com um vilão muito fraco e lamentavelmente esquecível, que tira a chance de uma batalha final épica e deixa de ser o melhor/mais divertido filme do ano, como eu mesma esperava, mas o que falta neste momento para a DC decolar com seus filmes é coragem. Os efeitos visuais são ótimos, a maquiagem é incrível, a cinematografia é toda trabalhada no CGi e não há nenhum problema porque não há exageros aqui, é um filme baseado em quadrinhos, com cara de quadrinhos, isso é bem bacana, e o CGi não incomoda, é bem empregado. Eu não achei a fotografia escura apesar do filme se passar a maior parte à noite, a iluminação dá conta até onde a montagem falha (de novo!). Há muitas cenas boas, mas os cortes bruscos de um momento para outro, completamente diferente, atrapalha o desenvolvimento do longa. 



O roteiro é redondo com ressalvas, alguns momentos dramáticos são dispensáveis, e os efeitos sonoros e mixagem de som são excelentes, assim como a seleção da trilha sonora.

Veja o trailer:



Suicide Squad diverte, é bacana e tem muitas referências para os fãs dos quadrinhos, isso é legal mas não o bastante, estamos falando de cinema, e o desespero (visível) para fazer um filme que agrade à gregos e troianos acaba deixando a desejar cinematograficamente, pois os problemas técnicos são problemas reais, assim como em Batman V Superman a edição é o maior vilão.