domingo, 24 de julho de 2016

A Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan, 2016)

A história de Tarzan foi criada no início do século passado por Edgar Rice Burroughs, de lá pra cá foram mais de 100 adaptações para o cinema, tv, games... Ou seja, todo mundo já conhece e tem uma opinião sobre este personagem. Esta versão da Warner Bros. não é a melhor, mas também está longe de ser a pior delas.
Além da atualização de efeitos visuais, o filme conta a história do já famoso Tarzan, depois que ele volta para seu império, John Clayton é um lorde rico, já casado com a Jane, e precisa voltar a selva, então o filme já não entra em detalhes de sua origem, contém alguns flashbacks mas a história não se aprofunda em detalhes, economizando tempo para a trama que será contada e as vezes até se esticando demais, mas não há nada novo, além de ver Tarzan em ação na selva pendurado em cipós recriado em CGi nada convincente, ainda assim é mais do mesmo.


Eu acredito que quem vai ver Tarzan no cinema não espera algo muito diferente do que já foi visto antes, então por mais que o diretor se esforce para contar algo novo, neste caso, ou terá que mudar totalmente a história ou ficar preso a elementos que são clichês indispensáveis como a mocinha em perigo, o grito icônico, o vilão ganancioso... Por outro lado o que pode ser feito é uma edição de arte perfeita, atuações calorosas e cenas memoráveis e nisso o filme falha.
Sobre o elenco, diga-se de passagem, é maravilhoso, porém todos os personagens parecem pouco aproveitados, apesar das boas atuações. Christoph Waltz é o vilão caricato, é ótimo vê-lo em ação mas ficamos esperando mais de seu personagem, o roteiro entrega muito pouco e ele faz o que se espera dele. Samuel L. Jackson é o que se sai melhor, ele é o único que parece se divertir em seu papel e nos diverte também. Margot Robbie é a bela Jane ela não tem muito a oferecer além de sua beleza, esta lá apenas para ser salva, apesar de seu personagem dizer o contrário (entendedores entenderão!). Dijmon Hounsou é o segundo vilão que tem um forte motivo para caçar Tarzan, porém facilmente desarmado (no sentindo de deixar de lado suas motivações), o ator tem seu talento tão desperdiçado que qualquer outro ator poderia estar em seu lugar, o mesmo acontece com o nada carismático, porém imponente Tarzan, Alexandre Skarsgård.


O 3D não é recomendado, muitas salas estão em 3D e é totalmente dispensável. Os efeitos visuais não são um grande feito, algumas vezes nota-se claramente o peso do CGi, a luta entre Tarzan e um macaco por exemplo é exagerada não nos causa impacto porque vemos nitidamente o contraste do real e a computação gráfica mal acabada. Mas o animais são impressionantemente bem feitos, parecem mesmo reais, menos na interação com os atores nisso falha. 

A selva é pouco convincente, principalmente por sua fotografia naturalmente acinzentada, não há um bom contraste e profundidade, nota-se também claramente o cenário artificial. O diretor David Yates perde a mão na montagem, com cortes rápidos parece que perdemos alguma coisa que os olhos não conseguem acompanhar, e em alguns momentos ele dá importância a algumas cenas com aquela câmera lenta (slow-motion) fica bacana, mas não é nada que realmente nos impressione, por outro lado os efeitos sonoros são de altíssima qualidade e a cinematografia é linda.

Veja o trailer:


The Legend of Tarzan é mesmo um filme que só funciona ao se tratar do Tarzan como lenda, não é um total desperdício, o longa tem bons momento de humor, erra na dramaticidade, é satisfatório para entretenimento, mas no geral não empolga.