domingo, 13 de agosto de 2017

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (Valerian and the City of a Thousand Planets, 2017).

Pegue Star Wars (que inclusive tirou parte de sua inspiração diretamente desta história em quadrinhos) e misture a Avatar (2009) e O Destino de Júpter (2015) e você terá Valerian e a Cidade dos Mil Planetas.

Baseado numa história em quadrinhos francesa de mesmo nome, este longa é considerado por Luc Besson (diretor) o projeto de sua vida, levou-se tanto tempo e tantos milhões para produzi-lo, e com 2 horas e 18 minutos de filme podemos ver um visual fantástico e criação de universo mais espetacular dos últimos tempos. O longa abre com "Space Oddity" de David Bowie e eleva ainda mais as expectativas deste ser, realmente, um filme memorável, mas é quando o casal de protagonistas entra em cena que as expectativas caem e daí por diante é ladeira à baixo.

O roteiro é simples que poderia funcionar melhor se não houvesse a necessidade de se explicar a todo momento tornando-o cada vez menos interessante e repetitivo. Nós esperamos por uma história que faça sentido estarmos tanto tempo na poltrona do cinema, mas a grande história não acontece. O romance entre os protagonistas não emplaca, não tem química e não tem a menor graça, romance piegas e genérico. A dupla até que funciona em cenas de ação, mas ainda assim parecem brincar de atuar. Dane Dehaan não é um mal ator, mas aqui ele se saiu um tremendo canastrão, até a Cara Delevingne (que não é atriz!) se saiu um pouco melhor do que Dane em cena. Outro personagem que não convence e chega a dar dó, é o personagem de Clive Owen, até Adam Sandler faria melhor.

Mas os problemas não se resumem em atuações precárias e roteiro bobo, o pior é aguentar diálogos previsíveis e piadinhas que não funcionam. Nem a pior comédia romântica que já vimos consegue ser tão enjoada. Definitivamente falta um boa história que esteja a altura do espetáculo visual criado por Besson. E que visual! Aí sim, é só elogios. A complexidade das criaturas extraterrestres, a criação de mundos, e a diversidade entres os seres, é de encher os olhos, a direção de arte merece reconhecimento e quase consegue superar a "breguice" do roteiro. Os efeitos visuais são tão impressionantes que dá gosto de ver, é o que nos prende na poltrona. 

Valerian and the City of a Thousand Planets tem a construção de mundos mais espetacular que já vimos no cinema, a novidade é um mundo criado em realidade virtual, onde os personagens transitam em dimensões diferentes podendo carregar consigo objetos de uma dimensão para a outra, como em um game de realidade virtual que você pode trazer para a realidade o que compra no jogo. As cenas de ação também são muito bem dirigidas, empolgam pelos enquadramentos peculiares que junto ao CGi e captura de movimentos fazem a gente mergulhar na ação com os personagens. Mas nem isso consegue manter o ritmo do filme por muito tempo, em determinado momento nem a ação e nem o espetáculo visual seguram e o relógio parece não andar. O longa passa arrastado e cansativo. 

Esta aventura espacial tinha tudo para se desenvolver bem e ter o casamento perfeito entre história e o visual impecável, porém não possui uma narrativa sustentável, mesmo assim não direi que é uma total perda de tempo, pois para os olhos realmente vale a pena, vale para aqueles que não estiverem muito interessados na história. 



Sinopse: Século XXVIII. Valerian (Dane DeHaan) é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline (Cara Delevingne), por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergalácticos. Quando chegam no planeta Alpha, eles precisarão acabar com uma operação comandada por grandes forças que deseja destruir os sonhos e as vidas dos dezessete milhões de habitantes do planeta.