quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Planeta dos Macacos: A Guerra (War for the Planet of the Apes, 2017)

O diretor Matt Reeves consegue entregar uma produção com qualidade ainda melhor do que o trabalho anterior, "Planeta dos Macacos: O Confronto" (2014), além de emocionar e fazer esta trilogia ser considerada uma das melhores já feitas no cinema hollywoodiano dos novos tempos. 

Sinopse: Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel. Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo. 

A direção é bem alinhada à trilha sonora impecável, que movimenta este longa e nos envolve a cada cena, ainda mais quando faz pequenas ligações (e por quê não chamá-las de homenagens) ao filme original "O Planeta dos Macacos" (1968). Tudo está em seu devido lugar, sem explosões à lá Michael Bay, a guerra tem o seu campo de batalha com seus soldados em ambos os lados, mas o que fica marcado é o conflito interno destes personagens.


A luta pela sobrevivência em ambos os lados (macacos x humanos) chega com mais força quando um terceiro elemento já previsto nos episódios anteriores determina que lado vai sobreviver, é uma ameaça já esperada, e com o final mais previsível de um dos filmes mais esperados do ano. O que tem de tão intrigante e que nos faz prender a atenção para tudo isso é a maneira como é conduzida a história, as escolhas e os caminhos traçados. Com excelentes atuações e o recurso ainda mais incrível do CGi e a E-motion capture, o diretor tem um domínio sem igual, com enquadramentos e jogos de câmeras que carregam leveza nas cenas de explosões, à fotografias (na maioria do tempo, fria, cinza) que remetem ao peso dramático que a narrativa carrega, compondo a cinematografia realista mais natural em ambientações reais, com pouco uso de chroma key (tela verde), tornando tudo mais verdadeiro. 


Andy Serkis prova que mesmo por baixo da tecnologia de efeitos de captura de imagens (que é excepcional!) o ator não só empresta seus movimentos como também suas emoções, coisa que já vimos anteriormente nos filmes que antecedem este, mas que aqui ele tem uma evolução significativa, é grandiosa, um lado que César ainda não havia mostrado, em consequência das perdas, seu maior desafio é uma luta interna entre o que ele acreditava e o que ele se tornou agora. Há vários destes desafios aqui que transbordam literalmente pelo olhar, nas expressões pela composição deste personagem, que não precisa dizer com palavras, toda sua complexidade é sentida pelo espectador sem precisar dizer nada. É realmente uma interpretação digna de Oscar.


O roteiro trás surpresas de um alívio cômico que, mais do que alivia, nos faz refletir, sobre este personagem, eu mesma não conseguia ri, eu senti sua dor, pena, mesmo ele sendo engraçado. Tudo tem um significado nas entrelinhas do que estamos vendo, ou revendo, já que esta guerra é bastante familiar para a humanidade na vida real, e os assuntos abordados podem ser estendidos a nossa realidade, tá tudo lá numa grande metáfora para ser pensado. Os personagens secundários tem seus momentos importantes e que se destacam muito bem, isso é um grande feito para um diretor, ele sabe equilibrar estes momentos e envolver a todos que participam da trama ao lado de César, quase que individualmente cada um com sua característica e apelo emocional, o que enriquece ainda mais a trama principalmente por estes personagens que já são conhecidos e queridos do público.


Woody Harrelson entrega um vilão memorável para a franquia, ele intimida, tem uma motivação real, ele convence em sua atuação fantástica e que é mais uma "homenagem", desta vez ao filme "Apocalypse Now" (1979). Também vamos lembrar deste clássico em cenas icônica que com maestria são muito bem reproduzidas aqui pelo diretor, causando uma avalanche de sentimentos que mistura nostalgia e ansiedade pelo que ainda está por vir. A narrativa é um pouco mais lenta que nos filmes anteriores, isso pode causar uma certa estranheza para quem espera a batalha em cena, mas não é isso que é proposto, o propósito aqui é outro, não há um grande combate em ação, na verdade a guerra é uma coisa mais pessoal, mais psicológica para cada personagem e isso que é retratado na trama. Não posso deixar de dizer que, as poucas cenas de ação são muito bem dirigidas e impactantes.


Na metade do terceiro ato, cada quadro é esperado com muita tensão, ainda estamos ali atentos, aguardando com muita expectativa os minutos finais, e é aí que nos damos conta que não queremos que termine. Provavelmente o último filme de uma série que acompanhamos seu protagonista desde o nascimento até a fase adulta e já envelhecendo, César é mais do que um macaco humanizado e de fala fluente, é um herói, um líder desenvolvido aos nossos olhos. Este é um exemplo para cineastas e diretores de como desenvolver um personagem na sua totalidade para torná-lo realmente heroico, inesquecível, aquele que o espectador torce junto, celebra a sua vitória, e o leva pra casa. Esse vai ficar para sempre no coração.