domingo, 13 de agosto de 2017

Dunkirk, 2017.


O tão esperado filme de guerra de Christopher Nolan não decepciona, é um filme altamente sensorial, onde sonoplastia e trilha original se misturam a ponto de não sabermos onde uma começa e a outra termina, é uma experiência sonora grandiosa entre a montagem de som e o violino de Hans Zimmer, em cenas que a tensão é crescente e emocionante. Mas uma vez a dupla Nolan e Zimmer fazendo bonito na telona. 


Com cinematografia nítida, bem enquadrada elevando a qualidade visual, temos aqui uma das melhores fotografias do ano vista no cinema, céu e mar em tons de azul que se banham na luz dourada do sol, revesa com o cinza de um céu nublado e o azul esverdeado, manchado, de um mar em chamas, é quase poética essa cinematografia fantástica reproduzida por uma direção impecável, que se supera com enquadramentos panorâmicos pela perspectiva do diretor, quanto do ponto de vista do piloto, no ar. Em terra, a beleza e qualidade visual salta aos olhos com cores, muitas vezes mais saturadas, mas que de maneira alguma se torna demasiada, é mais uma forma de valorizar o tom carregado de incertezas e esperanças desses soldados em terra firme que estão tão vulneráveis quanto no mar. 


As atuações são de inteira entrega, são bons atores, mas o roteiro não aprofunda o desenvolvimento dos personagens, o que Nolan parece mostrar é que não importa de quem é o rosto, são pessoas em uma situação de desespero, em meio a guerra esperando o resgate, querendo apenas que tudo isso acabe. Com isso, não há um envolvimento do espectador com os personagens que a principio seriam os protagonistas, não tem "o protagonista", todos tem o mesmo peso, e não é dado ferramentas para que nós possamos realmente se importar com eles e talvez este seja um dos poucos pontos negativos do filme.


O longa se divide em 3 histórias, como já é de se esperar de Nolan algo não linear, temos a surpresa de, até certo ponto, não fazer a ligação das narrativas, nesta expectativa, a tensão criada e muito bem desenvolvida pelo diretor e sua equipe que testa a capacidade do espectador de entender ou montar o quebra-cabeça, porém quando isso acontece, não há mais nada para enaltecer este roteiro, que daí em diante se torna previsível e pouco interessante chegando a um desfecho morno.


Na Sinopse, a Operação Dínamo, mais conhecida como a Evacuação de Dunkirk, soldados aliados da Bélgica, do Império Britânico e da França são rodeados pelo exército alemão e devem ser resgatados durante uma feroz batalha no início da Segunda Guerra Mundial. A história acompanha três momentos distintos: uma hora de confronto no céu, onde o piloto Farrier (Tom Hardy) precisa destruir um avião inimigo, um dia inteiro em alto mar, onde o civil britânico Dawson (Mark Rylance) leva seu barco de passeio para ajudar a resgatar o exército de seu país, e uma semana na praia, onde o jovem soldado Tommy (Fionn Whitehead) busca escapar a qualquer preço. 


Dunkirk tem um roteiro simples, porém sem falhas, mas que por si só não teria tanto impacto se não fosse pelas mãos criativas do diretor ao ousar de sua narrativa surpreendente e edição não linear. O design de produção e figurinos são dignos de indicações ao Oscar pela sua fidelidade com a época, assim como a parte técnica de mixagens de som e efeito sonoros, não esquecendo de maneira alguma a trilha sonora original que é espetacular. A direção não tem erros e é uma aula de como fazer, só peca na evolução dos personagens, problema antigo que já caracteriza o diretor em suas produções. Mesmo assim o longa é sensacional, com certeza um dos melhores do ano, até agora, e prevejo uma lista de indicações como por exemplo no Globo de Ouro e Oscar em 2018 para Nolan, só nos resta saber quantos deles ele irá levar.