sexta-feira, 2 de junho de 2017

Mulher-Maravilha (Wonder Woman, 2017).

Parece que a DC Comics acertou a mão e dessa vez com uma super-heroína como protagonista, que cá pra nós, tava difícil!


Este longa conta a história de origem de Diana, o roteiro é cuidadoso, bem escrito e objetivo. A trama traz uma narrativa simples e visualmente gratificante. Diana é uma garotinha que quer ser uma grande guerreira, ela vai descobrindo junto com o espectador suas habilidades. Chegando a fase adulta, ela faz o resgate do Capitão Trevor e parte para sua primeira batalha no "mundo do homens". 


Quantas lembranças eu tive do Clark Kent de Christopher Reeve, enquanto eu assistia a este filme, Gal Gadot conseguiu surpreender, não que ela seja uma grande atriz, ainda não é, mas assim como Reeve em "Superman" (1978), ela se saiu muito bem criando uma original e convincente versão da Mulher-Maravilha para o cinema, e trazendo satisfação para os fãs que esperaram por tantos anos este longa da heroína mais querida dos quadrinhos. Gal Gadot vem crescendo assim como sua personagem, ao longo da trama, e ao final ela cresceu, construindo sua heroína complexa em sua personalidade, chegou onde deveria com mérito.


A diretora, Patty Jenkins, também é responsável pelo crescimento de Gadot na tela, literalmente. Fisicamente a atriz não tem a aparência da guerreira amazona dos quadrinhos, então Jenkins resolveu fácil com enquadramentos que engrandece e enaltece a sua personagem na tela, nada de aumentá-la com efeitos visuais, mas marcando a personagem com ângulos onde ela parece muito maior, preenchendo todo quadro ou a maior parte dele. Funcionou.


Outro ponto forte é a direção de fotografia, a cinematografia do filme tem o tom certo para a época representada, na "terra do homens", com cores frias e acinzentadas, e tons de sépia, quase podemos sentir o cheiro do ar carregado pela destruição causada pela guerra. Só peca em cenas noturnas, algumas são mais escuras do que o necessário, o que se agrava com o uso dos óculos 3D, que, além de escurecer a tela, há apenas dois ou três momentos em que percebemos bem a tecnologia, ou seja, o recurso é dispensável.


O CGi também funciona bem na maior parte do filme, porém em alguns momento podemos perceber a distorção entre a fotografia e o preenchimento com a computação gráfica, o croma key (o uso daquela tela verde ao fundo) fica visível como se estivéssemos ainda anos 90, mas nada que atrapalhe a experiência do espectador, é apenas um detalhe que não podemos deixar de perceber, já que existe o mesmo problema em "Batman Vs Superman" (2016) e "Esquadrão Suicida" (2016), assim como o efeito videogame da lutas, deixando a ação mais pesada e os atores em ação com jeito de bonequinhos, são velhos problemas que retornaram. O efeito que caracteriza produções de Zack Snyder, é o excesso de câmera lenta, que em alguns momentos funciona por mostrar mais detalhadamente objetos de cena e enquadramentos que realçam a grandiosidade dos movimentos, mas em outros momentos atrapalha por retardar cenas que em movimento natural causariam mais impacto, ou cenas que não faz a menor diferença ser em câmera lenta ou não, porque ela não trás nenhuma informação visual necessária. 


A trilha sonora é incrível! O tema da Mulher-Maravilha arrepia, ao longo do filme toda a trilha sonora nos embala e funciona perfeitamente com as cenas, ou seja, ajuda a contar a história. E quando a Mulher-Maravilha surge com seu tema, ela cresce ainda mais. O toque retrô do filme, com figurino e maquiagem aumenta a elegância dos personagens. O alívio cômico do filme é bem leve, um trio nada convincente, apresenta piadas que não arrancam tanta graça do público, já a química entre Chris Pine e Gadot é eficiente, o Capitão Trevor é um personagem carismático e suas cenas mais cômicas são naturalmente divertidas.  


Os vilões são caricatos, mas suas interpretações são muito boas. O terceiro ato do filme tem momentos marcantes, empolgantes e finaliza muito bem. Mulher-Maravilha termina deixando o expectador com esperanças renovadas para os próximos filmes do Universo DC, Wonder Woman está para 2017 assim como "Superman" está para 1978 (e mais alguns anos...). É uma experiência que deixa um gostinho bom de quero mais. Mais Mulher-Maravilha no cinema, por favor. 


  
Mulher-Maravilha está em cartaz nos cinemas de todo Brasil.