sábado, 9 de setembro de 2017

IT: A Coisa (IT, 2017).


O livro "A Coisa" lançado em 1986 pelo escritor Stephen King é um clássico que já foi adaptado para a TV em 1990, mas ainda hoje serve de fonte de inspiração para diversas mídias assim como a série "Stranger Things" (Netflix, 2016) e agora volta aos cinemas com a readaptação da obra original e prova que ainda tem muito a oferecer.



A trama conta a história de 7 crianças (Jaeden Lieberher (Bill). Finn Wolfhard (Richie), Sophia Lillis (Beverly), Jack Dylan Grazer (Eddie), Wyatt Oleff (Stanley), Chosen Jacobs (Mike) e Jeremy Ray Taylor (Ben)) da cidade de Derry que constantemente sofrem bullying por parte da gang de Henry Bowers (Nicholas Hamilton), juntos formam o Clube dos Perdedores. Uma série de crianças estão desaparecidas na cidade incluindo o irmão mais novo de Bill, juntos, eles resolvem investigar o sumiço das crianças e uma criatura bizarra começa a aterrorizá-los, é Pennywise "O Palhaço Dançarino".



Sem comparações entre o livro e o filme de 1990, independente de sua fonte, este longa se desenvolve e apresenta uma estrutura narrativa que caminha muito bem sozinho. Dito isto, podemos avaliar que a primeira parte do longa é a introdução das crianças, vivendo o presente em 1989, com seus medos mais profundos até o encontro entre eles. O ritmo é intenso intercalando o dia-a-dia e seus fantasmas internos, o drama de cada um vivido em suas próprias casas com a família, além de terem que se preocupar com os adolescentes violentos que os perseguem nas ruas. A cinematografia e a direção de arte são bem fieis ao tempo retratado no longa, é verão, as cenas externas tem um colorido natural, e, a não ser que estejam em uma situação de perigo (quando a luz ambiente fica com o tom sépia) a luz do sol é constantemente radiante, as locações são bem naturais.



Já estabelecida a premissa, as crianças compartilham seus medos, e a ameça de Pennywise fica ainda mais assustadora. O elenco infantil é muito articulado e energético, com exceção de Chosen Jacobs (Mike) e Jeremy Ray Taylor (Ben), que estão bem menos entrosados, até deslocados em relação a interpretação dos outros atores. Finn Wolfhard (Richie) e Sophia Lillis (Beverly) são os que melhor se destacam, ele é o mais cômico do grupo, rouba a cena naturalmente. Sophia tem uma personagem mais complexa, o drama com seu pai é pesado e transborda aos olhos dela, quando está com os garotos se divertindo vemos a criança que ainda guarda dentro de si, e quando está em perigo ela se mostra preparada para se defender e enfrentar, sem dúvidas a melhor personagem da trama. 



Bill Skarsgård é Pennywise, sua interpretação está de acordo com o esperado, o desenvolvimento da criatura é gradativamente bem desenvolvida, ele tem os olhos muito expressivos, com um toque de loucura que é hipnótico, as cenas do Palhaço Dançarino são sempre tensas, e apesar dos efeitos de CGi tirarem um pouco da magia dos efeitos práticos, a cena na sala do projetor é sensacional! O ator cumpre seu papel, apresenta um personagem que deixa no ar que tem algo a mais para apresentar, e neste mistério deixado por ele é que vamos aguardar ansiosamente para o próximo capitulo.



Andy Muschietti dirige muito bem cenas assustadoras de Skarsgård, as melhores são, sem dúvidas, as com menos efeitos visuais sobre o Pennywise, ele cria uma atmosfera sinistra, mas peca nos jumpscare, quase sempre previsíveis. A tentativa de dar um susto no espectador com barulhos repentinos, também, nem sempre funciona. Mas parece que o propósito aqui foi alcançado, um clima de terror (mas sem que o público saia aterrorizado do cinema) é bem dosado com cenas e diálogos mais leves e um tom bem realista já que a trama gira em torno de crianças. Enquadramentos interessantes e imagens explícitas do que representa o medo de cada criança, fazem o público saltar da poltrona, e arregalar os olhos para ver cada detalhe.



Para quem quer saber sobre comparações com o filme de 1990, esta readaptação é uma atualização precisa para o nosso tempo, assim como "IT - Uma Obra-Prima do Medo" foi para a década de 90. O Pennywise do Tim Curry tem mais presença em cena, ele tem uma complexidade que mescla perfeitamente entre o palhaço ingênuo (claro, para enganar as criancinhas), irônico e o palhaço assassino, e uma voz amigável, a gente compra todas as suas facetas, sentimos medo dele por não sabermos qual é a sua verdadeira intenção. Já Bill Skarsgård não tem o lado irônico, ingênuo, ele transmite loucura nos olhos (até quando é para enganar as crianças!), e tem uma voz imponente que pode induz suas vítimas ao erro. Ambos são muito bons em suas interpretações, cada um em seu tempo. Outra comparação que não posso deixar de fazer é que neste filme a narrativa se passa no presente, em seu tempo (1989) e não em flashbacks, apenas a parte em que os personagens centrais são crianças. 


IT (título original) até tem cenas de terror escatológico, um ar sobrenatural..., é um filme para maiores de 16 anos principalmente pela violência apresentada, algumas cenas farão o espectador se esquivar, mas não vá ao cinema esperando algo como "Invocação do Mal", aqui o terror tem como sub-gênero slasher, você vai encontrar elementos como "Sexta-Feira 13""A Hora do Pesadelo", "Halloween"..., fãs deste clássicos e mais como "Stranger Things", "Conta Comigo", "Os Goonies", certamente irão gostar. Você também vai flutuar!



Uma pequena homenagem ao Pennywise de Tim Curry é um easter-egg delicioso para os fãs do telefime de 1990 e também aparece no trailer.