quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Victor Frankenstein (2015)

Assim como "Frankenstein: Entre Anjos e Demônios" (I, Frankenstein, 2014), "Victor Frankenstein", é mais um longa que veio para acrescentar nada a história clássica criada por Mary Shelley, apenas mais uma versão, que nada tem a ver com o original. Mas diverte.




A cenografia retrata bem a época vitoriana, figurinos, efeitos visuais, cinematografia, está tudo bonito, a edição tem um estilo que me lembrou o longa "Sherlock Holmes" (2009), e também m lembrou "Romeu + Julieta" (1996) com slow motion em cenas de ação "recortadas" e a trilha sonora pesada, não é criativo mas ficou bem legal. 


Não posso dizer o mesmo do roteiro. Os problemas começam quando percebo que a sinopse do filme conta que esta será uma história contada a partir do ponto de vista do corcunda Igor, personagem do Radcliff, então ele narra o inicio da história e depois de um tempo sinto falta disso, mas de uma maneira bem estranha me dou conta que, se o filme é de acordo com o ponto de vista dele, como ele pode saber sobre diálogos ou acontecimentos, em que ele não estava presente nas cenas? E isso acontece algumas vezes... É como se o roteirista estivesse esquecido desse "pequeno" detalhe. E a gente acaba esquecendo também, visto que a participação dele, não existente no livro de Mary Shelley, dá ao longa uma boa história para se contar, é bem interessante a relação de Igor e Victor com toda cumplicidade que há entre os dois, a diferença entre as personalidades, diferenças de nível social,  e o que move cada um. E aí mais um erro, pois o que está sendo contado aqui é a história de Igor. E tem um romance também que para mim, não faz o menor sentido nessa história.
 

Aí, você me pergunta: Então por que o filme tem o nome de Victor Frankenstein
Porque tem essa história também! E não espere muito pela história mais detalhada do médico que cria uma criatura com partes de cadáveres, e suas consequências... Isso está lá, em partes, mas como um plano de fundo, contada de maneira diferente e vago, isso serve mais como alegoria para nós apreciarmos outra história.

Muitas pontas soltas, outros personagens com outros interesses, a criatura tão esperada, é desinteressante, pouco se fala sobre as questões morais sobre a experiencia do doutor, isso fica limitado ao agente de polícia (Andrew Scott), mas que é muito caricato e não é levado a sério pelo espectador. No final de tudo, fiquei com a sensação de vazio, e não consegui entender o que o filme quis passar, é uma mistura de fantasia, drama, romance. 
 

No entanto, o longa não é uma total perda de tempo, pelo menos há ótimas atuações, Daniel Radcliffe, como o corcunda Igor (não existente no livro, que isso fique bem claro!) fiquei impressionada com sua performance, mas não por muito tempo, infelizmente, e quem já viu sabe por que. Temos Andrew Scott, e que eu levei alguns minutos para ter certeza de que era ele realmente, ele faz um agente fanático e obcecado que quer a todo custo desvendar o que há por trás das pesquisas do jovem Frankenstein. E por último, mais não menos importante, James McAvoy, que realmente cumpre o que promete, está excelente na pele do Dr. Victor.



E para você, que quer uma história mais interessante sobre Victor Frankenstein e sua criatura, assista "Frankenstein de Mary Shelley" (1994), este é a adaptação que chega mais perto do livro.

Recomendo "Victor Frankenstein" para todos que amam ir ao cinema, independente da história ser original ou não, essa não é das melhores mas também está longe de ser um filme ruim. Divirtam-se!