segunda-feira, 3 de abril de 2017

A Vigilante do Amanhã - Ghost in the Shell, 2017


Adaptação do anime Ghost In The Shell de 1995, uma das mais importantes obras do gênero e que inclusive, inspirou muitas produções cinematográfica, não consegue passar a alma filosófica do anime, muito pelo contrário, o longa desmembra e tenta traduzir com detalhes excessivamente explicados, como se o público de hoje, não pudesse por si só entender o que o desenho japonês transmite em 1 hora e 23 minutos, em um filme de quase 2 horas. E o pior sem profundidade e sem carisma.


Na sinopse, Major, uma máquina de combate, ciborgue-humana-híbrido, única de sua espécie, que líder a unidade de inteligência de elite: Sessão 9. Dedicados a capturar os criminosos mais perigosos e extremistas, a Sessão 9 é confrontada com um inimigo que tem como único objetivo acabar com os avanços tecnológicos da Hanka Robotic. 


As atuações não são lá muito convincentes, os personagens são rasos e falta química entre os personagens é tudo muito frio, muito distante e isto não é parte do roteiro e um problema de direção, os atores não parecem muito conectados. Scarlett Johasson, apresenta uma super-heroína que até se esforça para representar emoções, mas o roteiro não ajuda muito e mesmo assim é ela que carrega o filme nas costas apoiando-se em seus efeitos visuais grandiosos e CGi não tão eficientes quanto deveria. O cenário futurístico do filme, é cheio de glamour tecnológico, um universo perfeitamente bem recriado, mas que nos remete diretamente à lembranças de outro iônico sucesso das telonas Blade Runner (1982), ou seja, esta adaptação, é tão genérica que torna-se desinteressante, tanto para olhos de quem bem conhece a obra original, quanto para quem não conhece, porém curte blockbusters e sci-fi hollywoodianos.


Mas nem tudo está perdido. A direção de arte é impecável e nos brinda com frames que são belíssimas homenagens ao anime, cenas que são muito fieis em ângulos e enquadramentos excepcionais, eu curtir muito um slow motion nestas cenas, pois, para nós fãs do anime, podemos apreciar a magia do cinema em recriar cenas importantes com tamanha fidelidade e riqueza de detalhes. A trilha sonora também não peca pela sua discrição, é melódica e marcante.


No geral, A Vigilante do Amanhã é apenas mais uma tentativa de adaptação que, não chega a ser ruim como Dragon Ball Evolution, mas deixa muito a desejar em sua direção e problemas de roteiro, 
não chega nem próximo a levantar questões mais profundas sobre o que é ser humano, sobre a complexidade da natureza humana como o anime faz  e muito bem, diga-se de passagem, e muito menos é reflexivo, apenas mais um filme de ação que chega aí para tentar mais uma franquia descompromissada dos novos tempos.

Assista ao trailer final: