quarta-feira, 29 de março de 2017

Fragmentado (SPLIT, 2017).


"Em parceria com o produtor Jason Blum, o diretor M. Night Shyamalan apresenta a rotina de um portador de 23 personalidades distintas que se manifestam aleatoriamente. Com a capacidade de alterar sua química corporal por meio do pensamento, Kevin (James McAvoy) passa a agir de maneira incontrolável ultrapassando limites."


Que filme é esse?? Bom, eu vou começar de trás pra frente e sem spoilers. Primeiro preciso dizer que este filme é o retorno glorioso tão aguardado dos fãs dos filmes de Shyamalan. Sim, e se você já assistiu Fragmentado e não curtiu/não entendeu, me desculpe, mas pode ter sido mesmo porque você deixou passar uma parte importantíssima, em outras palavras, outros filmes do M. N. Shyamalan. Mas precisamente, um filme em especial, dizer mais do que isto pode ser considerado spoiler, então, reveja!


O filme tem um ótimo roteiro e possui 3 narrativas, uma delas eu achei que era desnecessária, a segunda eu achei que estava sendo auto-explicativa demais e que a terceira era suficiente. Mas eu estava errada, e após o término do filme a cabeça simplesmente explode e você volta (sozinho! Sim, porque em O Sexto Sentido a gente volta com o filme) a pensar no filme e entende o que na verdade estava se passando na cabeça desse diretor, que brilhantemente nos entrega um filme "WTF?" ao seu estilo.


A atuação de James McAvoy é perfeita, digna de indicação ao Oscar (mas será que vai?), ele trabalha personalidades diferentes, praticamente, de cara "limpa", é um trabalho excepcional que poucos atores conseguiriam. Suas expressões e trejeitos são tão precisos para cada personalidade que em pouco tempo de filme rolando a gente já consegue distinguir quem ele está interpretando. Claramente não foi um trabalho fácil para o ator, mas o que o diretor utiliza como recurso para enfatizar a atuação de McAvoy é tão importante quanto a própria atuação. Acentuando close-ups e enquadramentos que potencializam suas interpretações, a dupla constrói uma atmosfera envolvente que se não é tensa, é muito instigante. É o grande trunfo do filme e que mantem o público atento do início ao fim.



Anya Taylor-Joy também arrasa na interpretação, sua personagem claramente assombrada pelo sequestrador, ela é uma vítima inteligente, é a única que sabe jogar com as personalidades e vai conhecendo cada uma delas, a segunda narrativa é por parte dela em flashbacks, a principio eu não gostei muito, mas a gente aceita e entende o quão foi importante, principalmente quando na hora "WTF?" (aquele momento que a cabeça explode), aí nós entendemos que tudo faz parte de algo muito maior, sim, sua personagem é importantíssima para a história. A atriz Betty Blucker, também mostra que sua personagem é mais do que podemos esperar, ela constrói sua personagem, uma doutora respeitável e fascinada pelo Kevin e suas identidades. O terceiro ponto de vista do longa parte dela, a auto-explicação incomoda, mas é necessárias para que o público entenda melhor o que está acontecendo, e numa piscadela, descobrimos o quanto é importante toda essa auto-explicação. Aqui há outra ótima sacada do diretor que superou minhas expectativas, quando nós entendemos que nem tudo é o que parece a narrativa torna-se ainda mais interessante.


Enquadramentos que brincam com o ponto de vista do espectador, jogos de câmeras estrategicamente bem posicionados para dar vertigem ao público, e em outros momentos em que os olhos se esforçam para ver, quase que se esticando na poltrona, cinematografia amarelada, cenários claustrofóbicos que variam entre corredores e quartos na maior parte do tempo, cenas curiosamente bem montadas dando a impressão de planos sequências maiores do que realmente são tornam o filme intrigante (você quer saber o que está acontecendo e rói as unhas mesmo que você nunca tenha feito isso. Pronto falei!) mesmo quando o longa baixa um pouco o ritmo, não deixa a peteca cair, o espectador é levado a pensar que alguns recursos estão sobrando. Há também um humor negro, uma vontade de rir que termina em uma cena chocante... não só uma vez. Para ser bastante sincera este é um filme acima da média e eu recomendo fortemente que se você não acho ele no mínimo brilhante, recomendo que reveja. Para quem ainda não viu, e já assistiu a outros filmes do Night Shyamalan, permita-se, compre a ideia e você terá os últimos 5 segundos mais "WTF?" de um longa em 2017.


Night Shyamalan é autoral, ninguém pode negar, e aqui ele acerta o ponto e a "ficha" só cai quando o filme acaba. Depois volte aqui para a gente debater nos comentários o brilhantismo desta incrível obra que já entrou para minha lista de favoritos do diretor.

Assista ao primeiro trailer:



Assista ao segundo trailer:


SPLIT (no original), está em cartaz nos cinemas brasileiros. Veja os cartazes abaixo: