domingo, 20 de novembro de 2016

Animais Fantásticos e Onde Habitam, 2016.

Sou muito fã dos livros de "Harry Potter", anos antes de serem adaptados para o cinema eu já sonhava com este universo e dormia com os livros na minha cabeceira. O bruxinho fez um estrondoso sucesso na telona adaptando toda sua história contada em 7 livros, em 8 filmes, seria o fim da franquia no cinema? Poderia ser, mas J.K. Rowling, a criadora deste universo mágico, ainda tinha umas cartas na manga, entre elas os livros didáticos da Escola de Magia e Bruxaria Hogwarts, a escola em que Harry Potter e seu amigos estudaram (e onde o universo anterior se passa na maior parte do tempo), um destes livros é chamado "Animais Fantásticos e Onde Habitam" e é a história do autor deste livro (Newt Scamander, que também é ex-aluno de Hogwarts) que veremos no cinema a partir de agora, em 5 filmes. Mas não se preocupe, mesmo que você não conheça nada sobre este universo, vá sem medo porque as referências diretas à saga Potter são mínimas, este longa se passa 70 anos antes dos eventos dos filmes anteriores e com certeza será, no mínimo, um convite para que você mergulhe com tudo neste universo. Eu fiquei com vontade de ler os livros mais uma vez.

Na sinopse, o excêntrico magizoologista Newt Scamander (Eddie Redmayne) chega à cidade de Nova York levando com muito zelo sua preciosa maleta, um objeto mágico onde ele carrega fantásticos animais do mundo da magia que coletou durante as suas viagens. Em meio a comunidade bruxa norte-americana, que teme muito mais a exposição aos trouxas do que os ingleses, Newt precisará usar todas suas habilidades e conhecimentos para capturar uma variedade de criaturas que acabam fugindo. 

Fantastic Beasts and Where to Find Them (título original), é um filme completamente independente de "Harry Potter", ele tem suas próprias preocupações, a roteirista J.K. Rowling nos leva para um cenário diferente da saga anterior que se passa na Inglaterra, agora nós conhecemos como vivem os bruxos e como eles se relacionam com os não bruxos nos EUA, a começar por aí, os não bruxos são chamados de trouxa em Londres, já em Nova York o termo usado é não-maj (não-mágicos). Ela introduz com perfeição o espectador neste mundo novo apresentando, a princípio, o protagonista tímido que chega em terras estrangeiras em 1926 e trata como sendo um dos temas centrais o bullying entre outros assuntos do nosso tempo. 


A cinematografia do longa nos remete ao clima noir com fotografia acinzentada, azulada e sépia em muitas cenas com atmosfera misteriosa e personagens ainda mais sombrios.

A direção de arte é impecável e condizente com a época retratada, alguns cenários carregam na luz e/ou objetos dourados que contrastam muito bem com a pouca iluminação de algumas cenas internas e em outras cenas chegam a aumentar o efeito luminoso da fotografia mais clara, como por exemplo quando é usado os efeitos visuais dos animais.


E por falar em efeitos visuais, o longa usa e abusa do CGi, acerta com as criaturas que nos parecem incrivelmente realistas, sem falar que também há sincronia bem feita entre criaturas de computação gráfica e a atuação dos atores. Já com alguns cenários, o chroma key (aquela tela verde usada de fundo), peca no excesso e fica claramente visível, como por exemplo, quando o efeito é usado para ampliar os cenários, sejam eles com ou sem as criaturas. Mas ainda assim o trabalho final fica muito bonito.

O elenco se sai muito bem, Eddie Redmayne parece contido em seu personagem, não sei se isso se dá pelo roteiro que as vezes o trata como um personagem de camadas, ou pela direção que o deixou pouco a vontade e distante, Newt Scamander é atrapalhado e também muito... (fofo! Ai, gente não resisto!) amável, para completar ele tem aqueles olhos tristes, a gente fica tentando descobrir qual é a sua história. Já o restante do elenco é bem entrosado e a trama nos deixa bem envolvidos emocionalmente por eles. Dan Fogler interpreta Jacob, o alívio cômico do longa e é mais do que isso, ele é muito carismático e conquistas já nas primeiras cenas, mesmo com um humor mais infantil, este personagem ganha o público pela simplicidade, excelente atuação. 
Collin Farrell e Ezra Miller estão ótimos também, são personagens interessantes e suas atuações são responsáveis pela maior parte do mistério da trama. A trilha sonora é uma delícia, ajuda a criar o clima envolvente.

Assista ao trailer:


A edição é que falha um pouco, o filme parece muito recortado e passa por todos os gêneros, ação, aventura, romance, comédia, fantasia... E não se estabelece em nenhum deles, pula de cenas sombrias para um humor desajeitado, fica pedindo um pouco mais daquele mistério mas logo corta para uma cena menos interessante, são muitos altos e baixos em curto espaço de tempo. O roteiro é bom, algumas pontas ficam soltas, tudo será esclarecido ao longo dos próximos 4 filmes, o que não soa ruim, o lado bom de tudo isso é que teremos mais tempo para conhecermos e desenvolvermos uma relação mais próxima dos personagens e do universo, o filme não corre para se explicar, já vimos essa fórmula na saga viciante de "Harry Potter", só que aqui, não é uma repetição da história com substituição de personagens, é realmente uma nova história. Sabemos que a jornada do protagonista se passa ao redor do mundo, então ficamos esperando pelos próximos cenários. Por hora o filme resolve, a curto prazo, a ameaça atual, e deixa aquele gancho com gostinho de quero mais ao final da aventura.


Sobre o vilão, Grindelwald é um bruxo procurado, mas seu arco ainda é desconhecido. No longa há uma ameça fantástica, e é aí que percebemos que há algo maior para ser descoberto, o filme consegue causar impacto ao revelar essa ameaça. 
Este não é um filme caça-níquel do universo criado por Rowling, ele expande e abre um leque de opções para explorar, tem nostalgia, mas acrescenta coisas novas, surpreende e cativa os novos e os antigos fãs da escritora/roteirista. Este longa parece bem mais complexo e mais maduro do que os filmes anteriores. São 133 minutos de filme que passam voando, e a gente sai do cinema com vontade de descobrir mais. Para quem ama a saga anterior, fica aquela vontade de saber como acontece o embate entre Grindelwald e Dumbledore. Será que vai acontecer? Veremos...