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domingo, 8 de outubro de 2017

BLADE RUNNER 2049 (2017).

Quando nasce a sequência de um filme tão apreciado e respeitado como é o caso de "Blade Runner" (1982), surgem muitas questões e especulações do tipo "Será que conseguirá manter ou elevar o nível potencial da obra?", Blade Runner 2049, cumpre este papel e consegue manter o nível técnico e intelectual do filme original.


O que de mais bonito temos aqui é o visual, a cinematografia deste filme é impecável, Roger Deakins é o diretor de fotografia que acerta a mão 10 vezes de 10, e aqui não tinha como ser diferente, é feito upgrade visivelmente funcional, cores em momentos específicos ajudam a refletir emoções, o inicio mais preto e branco predominante, que se refere à segurança dos fatos pelo ponto de vista do protagonista, e isto vai mudando ao longo do filme, azul para o desconhecido demostra a frieza e as incertezas sobre o real, a falta ou ausência de emoções, o laranja para emoções mais humanas, alerta do perigo, descobertas que afloram sentimentos. Tudo isso combina perfeitamente com uma direção de arte que se preocupa em recriar o universo do primeiro filme com atualizações de si mesmo de forma que o espectador, já conhecedor deste universo sinta essa evolução de forma natural.  


Sinopse: Trinta anos após os acontecimentos do primeiro filme, a humanidade está novamente ameaçada, e dessa vez o perigo pode ser ainda maior. Isso porque o novato oficial K (Ryan Gosling), desenterrou um terrível segredo que tem o potencial de mergulhar a sociedade no completo caos. A descoberta acaba levando-o a uma busca frenética por Rick Deckard (Harrison Ford), desaparecido há 30 anos.


Ryan Gosling é o protagonista K, seu personagem possui camadas que exigem muito do ator, e Gosling consegue passar verdade e emoção com poucos diálogos. O diretor Denis Villeneuve, faz um excelente trabalho de direção de elenco, todos estão muito bem em cena, Dave Bautista é um personagem com pouco tempo de tela, mas eficiente e com certeza o melhor da sua carreira. Ana da Armas tem um papel que me lembrou o filme "Her" (Ela, 2014), é um personagem com um peso simbólico muito grande, que tem seu arco completo com começo, meio, fim e conclusão extraordinária.

O vilão de Jared Leto é misterioso, sua motivação é quase religiosa, uma incrível participação que pede mais tempo em tela. Há vários personagens neste longa, muitos com papéis pequenos, todos são extremamente importantes, não há sobras e nem atuações medíocres, todos estão empenhados e dão o melhor de si. Os diálogos são muito claros, apesar das mensagens da visão existencialista, fica claro o que o filme quer dizer e o que seus personagens dizem sobre si mesmos. O roteiro é inteligente e altamente reflexivo como não podia deixar de ser, trata claramente sobre memórias, qual é a relação que temos com nossas memórias, o quão elas são significativas e reais, senão moldadas por nossas experiências e emoções. São questões discutidas que nos faz carregar este filme conosco por horas, ou para vida toda.

Há alegorias e metáforas, o longa com quase 3 horas de duração, é lento sem ser enfadonho, para quem já se acostumou ao ritmo do filme original, não irá estranhar aqui. A trama proporciona questionamentos reais, como escravidão, a evolução da tecnologia, o sentido da vida e morte, e conceitos sobre o que é ser humano, criador e criatura. A filosofia se repete, mas de maneira um pouco mais suave do que o filme original, talvez porque já esperamos por isso. A proposta, apesar de características de filmes policial, de detetive neo-noir, este é um sci-fi, que discute questões intelectuais, exigente como no filme de 1982, no entanto está longe de ser uma cópia, ou um "remake", como aconteceu com outras sequências, este longa é uma expensão daquele universo, com novos e ainda antigos personagens, mas que entrega uma experiência nova, com questionamentos já conhecidos, porém atualizados de maneira original.

Se antes eu achava que "Blade Runner" (1982) não precisava de uma sequência, hoje eu saí do cinema com outro ponto de vista, este filme se faz necessário, não só para os fãs do filme original, mas para as novas gerações de fãs do bom cinema. Talvez, tornar-se-á um novo clássico da ficção científica, tudo indica que sim. 








segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Chegada (Arrival, 2016).

Filme baseado no conto "História de Sua Vida" (Story Of Your Life, 1998) de Ted Chiang
Para um blockbuster, este longa impressiona pela singularidade como conta sua história, e entre outros clássicos da ficção científica, também ficará na memória, Denis Villeneuve entrega um filme visualmente bonito e tecnicamente bem feito. 


Na sinopse, quando seres interplanetários deixam marcas na Terra, a Dra. Louise Banks (Amy Adams), uma linguista especialista no assunto, é procurada por militares para traduzir os sinais e desvendar se os alienígenas representam uma ameaça ou não. No entanto, a resposta para todas as perguntas e mistérios pode ameaçar a vida de Louise e a existência de toda a humanidade. Deslumbre visual com enquadramentos de diferentes ângulos e uma história pessoal aparentemente em paralelo com a atual presença dos aliens na Terra. O roteiro é bem fechado apesar de duas narrativas que seguem em linhas "circulares" (entendedores, entenderão!), assim é este sci-fi complexo e marcante.


Amy Adams dá um show de interpretação, sua personagem sensível e triste trás toda melancolia que podemos sentir por aqui, a complexidade da personagem é algo que poucas atrizes conseguiriam passar, ela está excelente. A trilha sonora ajuda a compor um clima misterioso que ampara nossas emoções, mas não impressiona. Diferente de muitos filmes sobre aliens, este é um filme que quando termina a tristeza e a beleza ficam martelando na cabeça. Denis Villeneuve cumpre seu papel e entrega um filme belíssimo, que foge do óbvio com sua narrativa não linear. Apesar disso, clichês básicos para se construir este universo são necessários, afinal de contas é um filme com invasão alienígena, porém não é sobre isso, portanto, não esperem explosões, nem destruição à lá Godzilla, e é aí que a trama se torna peculiar, ela é muito mais sobre humanos do que sobre alienígenas


Entender como funciona e fecha todas as pontas deste filme é algo ainda mais interessante que vamos descobrindo a cada momento junto com a trajetória de Louise. Em um determinado momento tudo passa a fazer sentido e o quebra-cabeça se completa com a última pergunta e você já sabe a resposta. Emocionante, Arrival (no original), sem dúvidas, deixou sua marca ao lado de Contato (Contact, 1997) e Contatos Imediatos de Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind, 1977). 





terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Trailer 2: Vida


Thriller aterrorizante sobre um time de cientistas a bordo da Estação Espacial Internacional cuja missão de descoberta se transforma em medo puro quando eles encontram uma forma de vida em desenvolvimento que causou a extinção da vida em Marte e agora ameaça a tripulação e a vida na Terra.

Assista ao trailer 2:



Direção: Daniel Espinosa. Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick. Elenco: Jake Gyllenhaal, Ryan Reynolds, Rebecca Ferguson, Hiroyuki Sanada...

Estreia prevista para 23 de março nos cinemas.



Assista o primeiro trailer clicando aqui.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Novos cartazes de Passageiros.

Adorei estes cartazes, o trailer é ótimo, estou ansiosa pelo filme.



Em futuro distante, uma nave espacial segue em direção a uma colônia que abriga pessoas adormecidas para acordarem anos depois. No trajeto, uma câmara apresenta problemas e um dos adormecidos, Jim Preston (Chris Pratt), desperta 90 anos antes do previsto. Ele começa a se desesperar com o fato de envelhecer e morrer sozinho e acorda outra passageira, Aurora (Jennifer Lawrence), para lhe fazer companhia, despertando sentimentos entre eles. Escrito por Jon Spaihts (Prometheus, A Hora da Escuridão) e dirigido por Morten Tyldum (O Jogo da Imitação) o longa estreia em 5 de janeiro de 2017.


Michael Sheen, Laurence Fishburne, Jamie Soricelli, Aurora Perrineau e Kimberly Battista também estão no elenco.


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Trailer: Os Smurfs e a Vila Perdida.


Nesta nova aventura completamente animada de Smurfs, um mapa misterioso leva Smurfette (Demi Lovatoe seus melhores amigos, Gênio, Desastrado e Robusto, à uma empolgante e divertida jornada pela Floresta Proibida - um lugar mágico e repleto de criaturas incríveis - para encontrar uma misteriosa vila perdida antes que o malvado feiticeiro, Gargamel, o faça. Embarcando em uma viagem cheia de ação e perigo, os Smurfs estão no caminho que leva à descoberta do maior segredo da história Smurf!

Assista aqui ao primeiro trailer:



Joe Manganiello, Mandy Patinkin, Rainn Wilson, Jack McBrayer e Danny Pudi emprestam suas vozes no original. Dirigido por Kelly Asbury, a estreia está prevista para o dia 06 de abril de 2017 no Brasil.



Veja também: Primeiro teaser Smurfs The Lost Village clicando aqui.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Trailer: Vida


Life (título original), acompanha uma equipe da Estação Espacial Internacional que descobre sinais de vida inteligente em Marte. Assista ao trailer:



Direção: Daniel Espinosa. Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick. Elenco: Jake Gyllenhaal, Ryan Reynolds, Rebecca Ferguson, Hiroyuki Sanada... Gênero: Suspense, Ficção científica. Estreia: 11 de Maio de 2017 (Brasil).

domingo, 16 de outubro de 2016

Inferno, 2016.

Um filme razoável baseado em um livro razoável. É assim que se define a terceira obra literária de Dan Brown adaptada para o cinema. É claro que teremos um público dividido entre os que leram o livro e gostarão do filme, e os que leram o livro e não aceitarão as modificações e licenças poéticas realizadas pelo roteirista e diretor do longa. Também teremos o público que não leu o livro, verá o filme, e será mais feliz.

Na sinopse, Robert Langdon (Tom Hanks) desperta em um hospital, com um ferimento na cabeça provocado por um tiro de raspão. Bastante grogue, ele é tratado por Sienna Brooks (Felicity Jones), uma médica que o conheceu quando ainda era criança. Langdon não se lembra de absolutamente nada que lhe aconteceu nas últimas 48 horas, nem mesmo o porquê de estar em Florença. Subitamente, ele é atacado por uma mulher misteriosa e, com a ajuda de Sienna, escapa do local. Ela o leva até sua casa, onde trata de seu ferimento. Lá Langdon percebe que em seu paletó está um frasco lacrado, que apenas pode ser aberto com sua impressão digital. Nele, há um estranho artefato que dá início a uma busca incessante através do universo de Dante Alighieri, autor de "A Divina Comédia", de forma a que possa entender não apenas o que lhe aconteceu, mas também o porquê de ser perseguido.

Tom Hanks está de volta na pele do simbologista mas carismático do cinema, ele está em forma e mais a vontade com seu personagem, é um Robert Langdon desorientado quando tudo começa e quanto mais o filme avança, mais eu estou convencida de que Hanks é Langdon de uma vez por todas. Felicity Jones tem seu personagem simplificado mais ainda assim, ela consegue dar vida com a ótima atuação. Omar Sy também marcar presença e mesmo seu personagem sendo muito vago sua atuação é forte, nada que vai marcar sua carreira, mas é convincente e acrescenta um certo mistério. A atriz dinamarquesa Sidse Babett Knudsen, é uma peça interessante do quebra-cabeça, mas também teve seu personagem reduzido e simplificado, no lugar de algo que poderia ter sido mais palpável para a trama, foi inserido um clima açucarado e a ótima atriz parecia não ter muito o que trabalhar. 
Uma curiosidade interessante para destacar, é que este elenco é composto por atores internacionais, assim como Sidse Babett Knudsen da Dinamarca, tem Omar Sy que é francês, Felicity Jones é inglesa, Irrfan Khan é indiano e Ben Foster norte-americano. 

As locações não ficam atrás, Istambul, Turquia e as duas cidades italianas, Veneza e Florença, são bem fotografadas e enriquecem a cinematografia clara e naturalmente hipnotizante, a direção acerta em movimentos panorâmicos de câmera alta, em bons enquadramentos abertos e médios, e planos longos também enaltecem as cenas externas e nos museus destacando apenas o que é necessário para os olhos do expectador. A trilha sonora de Hans Zimmer é sensacional como de costume, e um plano-sequência em Istambul (mesmo não agradando em seu desfecho hollywoodiano) somado a trilha sonora aumentam a nossa ansiedade e ao mesmo tempo nos enchem os olhos, por tamanha a competência do design de produção. E os efeitos visuais são muito eficientes.


Sobre a trama, o roteiro talvez seja o mais simples de todos, não sei se pela repetição da velha fórmula "decifra-me ou devoro-te", somado a correria contra o tempo para um desfecho que pareceu um tanto conservador para não causar polêmicas. O único diferencial está logo no início do filme (não darei spoilers), neste a ação começa cedo e só termina quando uma cena fora do contexto, é a introdução de um romance fora de hora, que flerta com o desejo de gritar "Que filme é esse agora?", sem propósito, parece apenas que serviu para jogar um balde de água fria na adrenalina que estava indo tão bem, em seguida a ação retorna, mas perdeu o pique. O enredo se perde em relação a narrativa, ao mesmo tempo que tudo está sendo bastante explicadinho, há pontas soltas que são preguiçosamente amarradas ao longo do filme trazendo reviravoltas previsíveis como justificativas. 

Veja o trailer:



Dos 3 filmes de Dan Brown adaptados para o cinema, esta é a trama que contém mais ação e Ron Haward sabe criar um clima tenso, por outro lado é a adaptação que mais se distancia da obra original, deixando de lado a discussão mais importante. Como roteiro adaptado é raso. Como obra cinematográfica isolada, é repetitivo, porém, um ótimo blockbuster.



quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Trailer: Festa Da Salsicha

Esta não é uma animação para menores de 16 anos.


A primeira animação para adultos, conta a historia de uma salsicha que lidera um grupo de produtos de supermercado em um jornada para descobrir a verdade sobre a sua existência e o que realmente acontece quando eles são escolhidos da prateleira. 

Veja o trailer:



No elenco de dubladores nacionais, está a equipe de Porta dos Fundos, Antonio Tabet, Gregorio Duvivier, Fábio Porchat, Thati Lopes, Rafael Portugal, Luis Lobianco, Karina Ramil, Gabriel Totoro e João Vicente de Castro. Quem também está no elenco é o brilhante Guilherme Briggs, como Frank. 

Os comerciais são cada um mais hilários do que o outro confiram alguns deles aqui:




Hoje nos cinemas.


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Trailer: Smurfs e a Vila Perdida

Eles estão de volta e dessa vez completamente em 3D.


Nesta nova aventura completamente animada de Smurfs, um mapa misterioso leva Smurfette (Demi Lovatoe seus melhores amigos, Gênio, Desastrado e Robusto, à uma empolgante e divertida jornada pela Floresta Proibida - um lugar mágico e repleto de criaturas incríveis - para encontrar uma misteriosa vila perdida antes que o malvado feiticeiro, Gargamel, o faça. Embarcando em uma viagem cheia de ação e perigo, os Smurfs estão no caminho que leva à descoberta do maior segredo da história Smurf!



Joe Manganiello, Mandy Patinkin, Rainn Wilson, Jack McBrayer e Danny Pudi emprestam suas vozes no original. Dirigido por Kelly Asbury, a estreia está prevista para o dia 30 de março de 2017 no Brasil.

sábado, 10 de setembro de 2016

O Homem Nas Trevas (Don't Breathe, 2016)


Dirigido e roteirizado por Fede Alvarez e produzido por Sam Raimi (repetindo a dobradinha do remake de A Morte do Demônio), este filme é um grande acerto do gênero, rápido e objetivo, não é daquelas produções cheia de efeitos visuais e carregado de jumpscares, o filme tem sim, cenas de susto, mas todas são bem trabalhadas (eu me assustei com 2 de verdade). A trilha sonora é envolvente e os enquadramentos tem ângulos que nos transportam para trama de cara com os personagens e nos deixam na ponta da poltrona o filme inteiro.



Na sinopse, três adolescentes invadem casas para assaltar quando os donos não se encontram, eles sempre escaparam de seus roubos, todos perfeitamente planejados. Mas quando realizam seu último crime, assaltando a casa de um senhor cego, o jogo muda. O longa foge da previsibilidade, e nos surpreende conforme a história vai se desenrolando, e põe e xeque valores a ponto de pensarmos "para quem estamos torcendo a final?". 



O elenco também é uma grande surpresa, Stephen Lang está assustadoramente incrível na pele da não tão inofensiva vítima, eu classificaria como uma das melhores atuações do ano, e o trio de adolescentes Daniel Zovatto, Dylan Minnette e Jane Levy também estão muito bem, não ão desenvolvidos a ponto de cativarem o publico, mas todos tem bons momentos e convencem em seus personagens, mesmo quando um deles parecia ter exagerado em uma determinada cena, porém a tensão e a agilidade como as coisas acontecem no filme me fez esquecer rapidinho. O roteiro é bem amarrado, tem boas surpresas e mantem a tensão do início ao fim. Os clichês obrigatórios em filmes de suspense e terror também estão presentes e são bem aplicados quando necessários. Os pequenos deslizes da produção não são suficientes para tirar o brilho do longa.

Veja o trailer:



Don't Breathe, título original, que quer dizer "Não Respire", poderia ter sido mantido em português porque é exatamente isso que tentamos fazer durante o curto tempo de filme, são menos de 1 hora e 30 minutos de uma trama bem elaborada, tensa e não dá tempo de se tornar enfadonha. É um thriller que funciona muito bem, violento e assustador, a partir do momento em que entramos na casa, é de perder o fôlego. Com sua cinematografia eficiente, ângulos em closes interessantes o que aumenta a atmosfera claustrofóbica, a fotografia escura pode se tornar angustiante mas é precisa e faz o expectador se sentir na pele dos adolescentes de olhos arregalados desesperados para sair dali de qualquer maneira. Vale a pena conferir.


domingo, 20 de março de 2016

Ressurreição (Risen, 2016)

O clima investigativo deste longa adaptado da bíblia (parece que todos os gêneros resolveram dá uma pitadinha noir ultimamente), é a grande diferença dos outros que vimos anteriormente. Com isso Ressurreição se torna um filme menos desinteressante para este momento em que filmes bíblicos estão vindo com força total.




Ao contrário de "Exodos: Deuses e Reis" e "Noé" que são super produções, este aqui é bem mais humilde e nos leva para um ponto menos explorado na história de Cristo no cinema. O filme começa exatamente quando Jesus está sendo crucificado e o foco é mesmo no que aconteceu com o corpo, que não se encontra no jazigo da família lacrado pelo próprio tribuno Clavius (Joseph Fiennes) iniciando assim a busca. E num ritmo de filme policial, a trama prende o expectador até desvendar o mistério.



Figurino e maquiagem são simples mesmo os romanos não têm tanto glamour, a cinematografia é boa, mas tive a sensação de está vendo uma produção bem pequena, embora interessante por algumas boas fotografias, talvez fosse mesmo a intensão do diretor Kevin Reynolds demostrar mais simplicidade na produção. As interpretações não são as melhores mas também não decepcionam. Os atores entregam o que o filme sugere. Enquadramentos tentam fazer milagres ao tentar dar uma impressão de grande batalha, logo no inicio do filme, não funciona mas, pelo menos não temos aquela já batida cena em slow motion (câmera lenta no meio da ação) que me cansa os olhos. E os efeitos visuais em determinados momentos deixam muito a desejar. 



Cliff Curts é o ator neozelandês que interpreta Jesus, para mim uma ótima escolha, embora não tenha sido a melhor das interpretações, ele foge do padrão loiro, cabeludo de olhos azuis e só aí já ganhou pontos comigo. Tom Felton faz cara de Malfoy (vilãozinho de Harry Potter) e também não apresenta sua melhor interpretação. Sem grandes surpresas o interessante neste longa é o ponto de vista do romano sobre a história. O filme é mediano, não ousa, e é despretensioso, apenas apresenta sua versão e pode até emocionar os mais sensíveis.




Veja o trailer:

Recomendo para quem gosta de filmes bíblico e históricos. 



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Spotlight - Segredos Revelados (Spotlight, 2016)

Este filme traz uma história real e assustadora, a medida que o filme vai avançando o horror aumenta, a revolta cresce a cada nova informação obtida. É um drama clássico, biográfico, com uma pegada de documentário, e já vou avisando, se você quer um filme de ação e grandes efeitos visuais, passe longe deste, Spotlight é um longa para quem aprecia cinema não só como entretenimento, e vai muito além disso.




O filme é sobre casos de pedofilia praticados por membros da Igreja Católica acobertados pela Arquidiocese de Boston, e que a Spotlight, uma equipe de jornalistas do The Boston Globe, investiga, não só pela reportagem em si, mas também por um sentimento pessoal de justiça.


Com um elenco brilhante (nada menos do que isso), o filme tem a clareza dos fatos em atuações tão convincentes que mais parece de um documentário, onde o expectador é transportado para dentro do jornal, acompanhando a rotina dos jornalistas, toda investigação, cada pesquisa, cada descoberta, a gente se sente lá, junto à equipe a cada passo, a cada triste descoberta.



Com uma trilha sonora no mesmo tom do filme, apesar de ser "paradão", não é cansativo, a edição é dinâmica, e o roteiro é tão bom que não conseguimos despregar os olhos da trama. Não temos nenhum minuto de alívio, o filme mantém o tom investigativo e de seriedade, todos sentem o peso da responsabilidade sobre este caso nas mãos, algo que começa pequeno e vira uma bola de neve aos nossos olhos. Sufocante. Ótima direção.



Michael Keaton e Mark Ruffalo, estão em sua melhor forma, suas interpretações são as mais destacadas devido à carga emocional de seus personagens. Também estão no filme Rachel McAdams (indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante), Liev SchreiberJohn SlatteryStanley Tucci, Brian d'Arcy James e outros, todo o elenco está muito bem. Fotografia, cenários e figurinos retrata bem a época em que se passa a história. Eu soube que o verdadeiro jornal, The Boston Globe, ajudou muito a e
quipe a recriar estes detalhes. 




Spotlight é um grande filme que conta bem a sua história sem precisar apelar ou exagerar. Um filme sobre jornalismo verdadeiro, sério e sem sensacionalismo.
Merecidamente indicado ao Oscar 2016 de Melhor Filme e mais 5 indicações. Na vida real, esta investigação recebeu o Prêmio Pulitzer de Serviço Público em 2003. 





Filme excelente. Recomendo para quem gosta do gênero.